quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O desafio da Palavra

O desafio consta responder às perguntas com uma palavra que comece pela mesma letra que o teu nome.

  1. Qual o teu nome: Sara
  2. Uma palavra com nove letras: Sabedoria
  3. Um nome de menino: Sérgio
  4. Um nome de menina: Sofia
  5. Uma profissão: Serralheiro
  6. Uma cor: não me recordo -_-'
  7. Uma coisa que se veste: Sweat
  8. Uma bebida: Santal
  9. Uma comida: Sopa
  10. Alguma coisa que se encontre na casa de banho: Sabonete
  11. Algum lugar: Sagres
  12. Alguma razão para se atrasar: Saúde
  13. Algo que se grita: Santinho!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma palavra...


O amor é um acto de perdão infindável,
um olhar terno que se torna um hábito.

Peter Ustinov
P.S. - Trazida até mim por uma amiga :)

"Intermitências da morte"

Terminei, recentemente, de ler o livro "As intermitências da morte" de José Saramago. Um livro questionador e deveras interessante, que aconselho a qualquer um a desfolhar. Assim, tentando suscitar a vossa curiosidade, deixo aqui dois excertos.

"Todos os jornais, sem excepção, publicavam na primeira página o manuscrito da morte, mas um deles, para tornar mais fácil a leitura, reproduziu o texto em letra de forma de corpo catorze dentro de uma caixa, (...) sem esquecer a assinatura final, que passou de morte a Morte, uma diferença inapreciável ao ouvido, mas que irá provocar nesse mesmo dia um indignado protesto da autora da missiva (...) Na tarde deste mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou à redacção do jornal uma carta da morte, exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata retificação do seu nome, senhor director, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplesmente morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem por sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem, (..) esta pequena morte quotidiana que eu sou, esta que até mesmo nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão a saber o que é a Morte com letra grande (..)"

"O diapasão regressara ao silêncio, o violoncelo recuperara a afinação e o telefone tocou. O músico sobressaltou-se, olhou para o relógio, quase uma e meia. Quem diabo será a esta hora, pensou. Levantou o auscultador e durante uns segundos ficou à espera. Era absurdo, claro, ele é qe deveria falar, dizer o nome, ou o número do telefone, provavelmente responderiam do outro lado Foi engano, desculpe, mas a voz que falou tinha preferido perguntar, É o cão que está a atender o telefone, se é ele, ao menos que faça o favor de ladrar. O violoncelista respondeu, Sim, sou o cão, mas já há muito tempo que deixei de ladrar, também perdi o hábito de morder, a não ser a mim mesmo quando a vida me repugna (...)"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Onde está a razão no meio disto?

Um dia destes que por aqui passam, dei por mim a pensar no comportamento dos seres vivos.
Os potros, pouco após de nascer, erguem-se e conseguem caminhar quase de imediato.
As tartaruguinhas eclodem dos ovos onde estiveram encerradas e andam em direcção ao mar, onde posteriormente seguirão o rumo da sua vida.
As aves, embora mais frágeis, permanecem nos ninhos depenadas, mas comunicam perfeitamente com os seus progenitores, que através dos seus pios, sabem o que os seus rebentos querem.
Nós, os humanos e seres dotados de razão e inteligência, quando vimos para este mundo, comunicamos através do choro, frequentemente incompreensível para os que cuidam de nós, não caminhamos nem gatinhamos, só mais de meia dúzia de meses é que alcançamos esses feitos, e não erguemos o rosto com a vontade de enfrentar o futuro, pois como pequenas formas de vida que somos, não temos a noção do que enfrentamos.
Concluíndo, não deveria a razão e inteligência dotar-nos de mais capacidades à nascença? Ou será essa uma espécie de equilibrio ou contrapartida, para que nos assemelhemos às restantes espécies?
É apenas um mero pensamento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O mundo (parte 2)

Atravessando a porta do meu lar, sinto a luz banhando a minha face e o calor que com ela traz, ouço os sons já há muito esquecidos e vejo o que me rodeia, tudo com plena atenção. Ah! Como é bom sentir estes outros ares, estas outras paisagens. Inspiro e expiro. O ar renova-se nos meus pulmões. Já não é aquele gás contaminado com dor, solidão e mágoa. É um outro que contém esperança, saudade e paz.
Sento-me na relva fresca do jardim que situa em frente à minha casa, àquela nossa casa. Tudo me parece tão novo e colorido. Tudo me parece tão bom. E como por magia, esta manhã traz ainda mais boas notícias e acontecimentos.
Olho para a minha esquerda e vejo um amigo, daqueles que me ajudaram no princípio mas a quem renunciei nos tempos que se seguiram. Depois vejo outro. E mais outro. Eles miram-me, espantados, e cada um deles abraça-me. Eu sorrio. Eles sorriem também. Então, contem-me novidades!... Quero saber de tudo o que aconteceu. E o teu trabalho? A tua sogra como vai, já está melhorzinha? … - Vou perguntando. E a conversa prolonga-se até ao final da tarde.
Voltar-nos-emos a ver – prometi. A companhia dos meus camaradas é essencial no processo de recuperação, e não só, devo-lhes muito, devo-lhes a minha amizade, que infelizmente não se mostrou nestes meses, neste ano.
Regresso a casa após aquele tempo de convívio. Já não me assusta o regresso ao Lar. Abro as janelas, mudo os lençóis, limpo o pó e varro o lixo. O aroma Dela ainda está presente e sei que nunca desaparecerá, mas as divisões gritavam por uma limpeza.
Depois adormeço. O meu corpo, arrebatado pela força dos acontecimentos e sensações, deixa-se cair sob a frescura da cama.
Surge um novo dia. Remexo nas coisas dela, não com o intuito de bisbilhotar, mas sim com a vontade de encerrar um capítulo. Esse capítulo negro que não me deixava recordá-La da forma correcta. Que me enchia de pessimismo e cobria de areia os meus olhos, escurecendo as minhas memórias. Revejo tudo com muito carinho, luto para que as lágrimas não caiam, porém algumas escapam-se, e arrumo os objectos com extremo cuidado. Há uma memória Dela em cada canto. Há a presença Dela em cada esquina. Todavia, finalizada a tarefa, consigo lidar com isso com tanto amor como o que Ela sabia que eu sentia. E sim, agora restam somente as saudades da sua presença, a eternidade dos seus actos e gestos, dos seus beijos e toques no meu rosto, de todas as suas acções e características no fundo. Tudo isso permanecerá para sempre.
Amanhece. Volto ao trabalho, retomo os meus horários e sou útil para a sociedade de novo. Afinal ainda não me esqueci como eram feitas as coisas e realizadas as funções. Uma parte da minha vida é dedicada agora à actividade laboral.
E o Sol volta vezes e vezes sem conta.
Recuperei.
Cada dia agora é vivido e sentido.
Cada dia agora é um minuto, é um mês.
Surgem novas aventuras e desafios a que não renuncio. Pois viver já é em si mesmo um deles, tanto uma aventura como um desafio, tanto uma loucura como um acto seguro, tanto uma seriedade como uma leveza. E continuo. Porque era o que Ela queria e porque assim o deveria fazer.
Estou em comunhão com os que me querem bem permanentemente. Olho para o retrato Dela constantemente. Trabalho em cada semana continuamente.
Vou a baixo por vezes, mas sei que não desisto. Tenho a força Dela a mover-me. E falo-lhe todas as noites, revelando-lhe o meu sentir e o decorrer daquelas horas, ou melhor, os acontecimentos que as preencheram. Nada lhe escondo. Nem os amores ou desamores, como Ela referira. Quer dizer, só acontecera por duas vezes, contudo, por respeito a Ela e ao sentimento que nutro e que estará indefinidamente presente, conversei frontalmente com as senhoras em questão e apenas se estabeleceram boas amizades, aliás, nunca fora algo mais, na minha perspectiva.
Assim vivo. Assim existo e actuo. Assim espero por ti Miriam, no fim do meu tempo neste mundo. É o que me guia. A minha maior esperança. Uma certeza já confirmada, talvez...
Até breve, meu amor.

--------------------------------------------------------- FIM -------------------------------------------------------------

08 e 09 de Agosto de 2009
Autoria de: Sara Silva.

domingo, 26 de julho de 2009

O mundo (parte 1)

E tudo veio com um turbilhão.
Naquele dia, mal tinha eu chegado a casa, o telefone já tocava. Do outro lado da linha estava uma pessoa da qual nunca ouvira falar. Aquela voz rouca de homem questionou-me se era eu o marido de Miram, ao que respondi com ternura ao lembrar-me dela: “Sou sim”. Queria dizer-me algo pessoalmente. Dadas as indicações e a minha morada, pousei o auscultador e então comecei a cogitar. Os meus neurónios trabalhavam a mil à hora. Uma das coisas que pensei, e que assumi como facto provável, era que ela se havia metido em sarilhos, pois sempre tinha sido um pouco rebelde.
Uns breves minutos depois bateram à porta. Conversei com um senhor da polícia, o senhor Camilo, e ele percebeu como me sentia. Para que não houvesse mais suspense acabou por revelar a verdade: “Ah…A sua mulher faleceu esta manhã. O seu corpo foi encontrado no beco da Luz e já o levaram para o Instituto de Medicina Legal. Precisamos que o senhor vá lá de modo a identificá-lo.” E eu fui. Fui com o senhor Camilo.
Entrei numa sala de metal gelada e vi-a… Vi-a tão serena, tão quieta, e tão bonita!... Mas o seu tom de pele era mais amarelado, com doces tons vermelhos e azuis, e outros da combinação dos anteriores, e as suas unhas estavam negras. Pedi para segurar a sua mão. Ao tocar-lhe… ao senti-la… desatei a chorar. Fiquei de tal modo descontrolado que tiveram de me segurar pelos ombros para que saísse daquela sala, levando-me de seguida para casa.
Os meus amigos souberam da notícia e aprontaram-se a tratar do funeral. Eu contribuí com sugestões, expressando algumas das minhas vontades e das vontades dela.
A cerimónia foi simples, comovente, repleta de conhecidos e menos conhecidos. Horas depois, o seu corpo repousava já sob as terras férteis da nossa cidade.
Passados dois meses recebi o relatório da autópsia. Ela havia falecido com uma overdose de uma droga qualquer. Achei tão estranho… Questionei-me, e questionei o que quer que me ouvisse, dias e dias a fio. Quando o cansaço se abateu sobre mim, e a desilusão por não ter encontrado qualquer resposta veio ao de cimo, soltei a pergunta para que ela pudesse voar para fora da minha mente, não pensando mais sobre isso.
Nos meses após esses tempos, já não ia ao trabalho, não respondia a telefonemas, nem abria a porta a conhecidos. Ainda tinha tentado fazer isso nas primeiras semanas, mas custava demasiado… era demasiado penoso. Deixei-me ficar por casa, a percorrer os seus cantos de vez em quando. Aos poucos e poucos deixei fugir pedaços de mim. Refugiei-me num espaço particular. Tornei-me num solitário deprimido com saudades da presença Dela. Então, em determinado ponto (que temporalmente ainda permanece indeterminável), esse espaço particular, esse o meu mundo próprio tornou-se numa ilha, rodeado por uma vastidão de coisas mas longe de tudo. Foi aí que eu vivi todo este tempo. E aí me recolhi neste meu pesar.
Quanto tempo passou!...
Agora compreendo. Retomo o meu estado consciente e ausento-me dessa ilha, retomo de novo o meu lugar. Agora, voltei de novo para o mundo.

09 e 25 de Junho de 2009; 02, 03 e 15 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ilha de retornos

Abri os olhos. Não a vi. Nem vi branco. Nem se quer senti aquela paz que tinha sentido anteriormente. Mas trazia as suas palavras gravadas na minha mente como tatuagens. Olhei em volta e estava em casa, deitado na cama, junto à cómoda. Como tinha vindo ali parar? Ela tinha razão, não deveria reflectir para já, pois o esforço seria em vão. Estendi a mão sem mais demoras e abri a primeira gaveta. Vi o seu batom, lenços, uma caneta e pouco mais. Não deveria ser naquela. Abri a que estava imediatamente abaixo e percorri a roupa interior dela. A certo momento senti algo mais duro por entre os tecidos. Era um papel dobrado. Seria uma mensagem dela? Seria o bilhete… o bilhete do seu fim? Hesitei. Estaria pronto para aquilo? Não queria saber. A curiosidade consumia-me, e quando me apercebi, já o tinha desdobrado.
“Lancelote,
Tomei uma decisão. Pode ser egoísta e não ser a melhor, mas é a que encontrei. Quero que saibas também que não a tomei de ânimo leve, reflecti e reflecti mas continuava a parecer-me que era a solução.
Tu não sabes isto, mas quando ias trabalhar, eu ficava vagueando com o meu corpo flácido pela casa ou pelas ruas. Nunca me dei ao trabalho de resistir ao que sentia e por isso, rendendo-me ao desânimo e à solidão, onde o teu regresso a casa era o único momento que me trazia felicidade, eu virei à esquerda numa rua e deparei-me com um triste cenário. Olhei e achei repugnante, mas continuei nessa direcção, e até me sentei perto de umas pessoas que lá estavam desanimadas como eu. Tomei conhecimento daquela verdade cruel e experimentei o sabor da ilusão, vi coisas que o meu cérebro produzira e sabia que não eram realidade, mas fazia-me sentir tão bem… E continuei a fazer isso praticamente todos os dias. Mas tu não notavas, porque me vias sempre como a mulher que amavas e que achavas atraente. Digamos que também me esforçava por encobrir aquele aspecto doentio e o cansaço que sentia quando não consumia os pós mágicos.
Agora, tendo a minha alma contaminada, não consigo viver mais assim. Estou dependente, estou viciada e não consigo fazer nada mais para lutar contra esse vício. É mais forte do que eu, controla-me, comanda-me. Não quero ser assim sabes? Quero ser mais para ti. Quero ser eu de novo. Quero estar contigo como estávamos dantes, e quero estar no mundo como a mulher viva e alegre que era dantes, mas agora não consigo alcançar isso. Acredita que não. E já tentei. Por isso, tomei esta decisão: a de buscar um novo mundo onde volte a ser eu de novo. Acho que é um mundo calmo, tranquilo, mas certezas disso nunca poderei ter. No entanto, tenho a fé que me guia.
Meu amor, eu voltar-te-ei a ver, eu sei, e quero que sejas feliz sim?
Para todos os casos, fica a saber que te amo e que peço desculpa. ”

26 de Maio de 2009; 09 de Junho de 2009; 25 de Junho de 2009
Autoria de: Sara Silva.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ilha de viagens

Depois de um gentil beijo ela diz-me, sempre do mesmo modo descontraído:
- Não chores. Sabes que eu também te amo. Porque outro motivo casaria contigo? Pela tua dureza não seria.
- Eu sei, estou um caos. Mas amoleceste o meu coração Miriam. Não te quero largar nunca. Podemos ficar assim apenas, para sempre?
- Podes ter a certeza de que eu abraçarei sempre o teu coração, as tuas vontades e objectivos, tristezas e alegrias, vitórias e derrotas, abraçarei todos os teus momentos. Abraçarei até amores e desamores. Quero que sejas feliz.
- Amores e desamores? Miriam, tu és a minha mulher. Não amo mais ninguém desta forma, nem amarei alguém assim. Tu és aquela metade que me faltava.
- Por vezes o que nos falta é um conjunto de varias peças e não somente uma metade.
- Que dizes meu amor? Que dizes? Não digas essas tontices! Eu quero ficar contigo. Quero ficar contigo aqui. És feliz aqui. Eu sou feliz aqui contigo também. Seremos felizes os dois aqui. Mas diz-me, há algo que não percebo, porquê…?
- Para quê pensar nisso? Lancelote, deixa essas reflexões para outras alturas. Quero-te dizer algo e é algo importante.
Escuto as suas palavras sábias.
- Bem, a vida é como um rio. Cada um de nós é um barquinho que navega nele. O que permitirá atravessá-lo e percorre-lo com sucesso é a estrutura do barquinho. Mesmo até os que parecem mais frágeis, mais susceptíveis a afundarem-se, podem ser feitos de madeira rija. E cada um de nós pode moldar a estrutura, mas há sempre pormenores que deverão permanecer intocáveis, talvez porque é impossível modificar tal parte ou simplesmente porque nos parece que essa parte não prejudica o barquinho na totalidade. É preciso sim ter cuidado com a bagagem que entra no barquinho, estando ele já com a estrutura moldada. Demasiado conteúdo não é bom. Pouco conteúdo também não. Apenas o necessário é que deverá entrar, senão o barquinho fica com demasiado peso. Assim, o barquinho pode enfrentar tormentas e até icebergs que não se afunda como o Titanic, e percorre o rio até lhe ser aplicada a justiça. Eu é que deixei que entrasse demasiado conteúdo.
- Que tipo de conteúdo?
- Oh meu amor, aqui há que fazer. Tenho de ir. A resposta encontra-se na gaveta da cómoda. Que engraçado eu ainda saber isto. Eu abraçar-te-ei para sempre, e sempre. Estarei sempre contigo não te esqueças, estarei do teu lado.
- Não te vás Miriam! Fica aqui comigo… Não te vás, não novamente.
- Seria bom não seria? Mas não pode ser. Ver-nos-emos de novo, algures no futuro. Tem sempre essa certeza contigo e percorre o rio como o forte barquinho que és. Eu amo-te.
Beijou-me e vi-a desaparecer, enquanto gritava e declamava o meu amor por ela e suplicava a sua presença e a eternidade deste encontro.

02 de Maio de 2009
Autoria de: Sara Silva.