sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Divagações....

No outro dia ia iniciar um mero discurso que tanto insere mas nada diz, um discurso por escrito, mas desisti dessa ideia uma vez que o cansaço era mais forte. Hoje apetece-me fazer algo assim. Escrever simplesmente por escrever, para libertar uns ou outros sentires e umas ou outras palavras que aprisiono cá dentro.
E de que falarei?
Dos horrores deste mundo? Já os mencionei noutros tempos.
Dos relances de bondade? Também já os referi.
O que resta pelo meio? Resta a vida. A comum e banal vida, que sagradamente nos foi concedida. Aquela que nos acolheu desde o primeiro momento em que o espermatozóide entrou um contacto com o ovócito II e não nos deixou senão até à apoptose da totalidade das células constituintes do nosso ser.
Surge sem aviso prévio, não olha a superficialidades e nem se quer determina o seu destino, apenas aparece e faz-nos aparecer também, faz-nos ser e existir. E por mais tragédias e catástrofes que traga, é ela também que nos dá a oportunidade de sentir e vivenciar o que de melhor existe.
Digna de um extremo valor, a vida é o que faz com que exista tudo o que há para existir, pois sem ela não teríamos conhecimento de todo este conjunto de situações e factos, até das coisas que se encontram desprovidas da sua essência. Mas com ela, abrimos os olhos para um outro mundo, despertamos a alma para novas realidades e somos aquilo que está determinado sermos, mas que por nossa força podemos igualmente remodelar.
É a vida e somos nós. Uma relação absolutamente dialéctica.
É o mundo e o pensar, ligados um ao outro.
É o que é, o que tem de ser e o que acaba por ser.
E é tudo por hoje, mergulhando nesta madrugada.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Imagine...

John Lennon - "Imagine"

Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desafios

Desafio Roxie


As regras são as seguintes:

  1. Exibir a imagem do selo "O seu blog é Roxie"
  2. Escrever 5 coisas que são Roxie
  3. Apelidar de Roxie outros blogs
  • A - Música: The Fray, Lifehouse, T.A.T.U., entre outros.
  • B - Televisão: Séries da Foxlife, Dr. House, Morangos com Açúcar por vezes...
  • C - Três países que sonho conhecer: Itália, algum país africano e o meu próprio país, Portugal, ainda há tanto por conhecer.
  • D - Três cores que eu gosto: Azul, Vermelho e Roxo
  • E - Hobbies: Ler, trabalhos manuais, escrever, estar no computador e passear.

Quanto aos blogues Roxie, considero como o sendo todos os blogues da minha lista.

Quem quiser responder ou efectuar estes desafios, que esteja à vontade para tal.

O desafio da Palavra

O desafio consta responder às perguntas com uma palavra que comece pela mesma letra que o teu nome.

  1. Qual o teu nome: Sara
  2. Uma palavra com nove letras: Sabedoria
  3. Um nome de menino: Sérgio
  4. Um nome de menina: Sofia
  5. Uma profissão: Serralheiro
  6. Uma cor: não me recordo -_-'
  7. Uma coisa que se veste: Sweat
  8. Uma bebida: Santal
  9. Uma comida: Sopa
  10. Alguma coisa que se encontre na casa de banho: Sabonete
  11. Algum lugar: Sagres
  12. Alguma razão para se atrasar: Saúde
  13. Algo que se grita: Santinho!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma palavra...


O amor é um acto de perdão infindável,
um olhar terno que se torna um hábito.

Peter Ustinov
P.S. - Trazida até mim por uma amiga :)

"Intermitências da morte"

Terminei, recentemente, de ler o livro "As intermitências da morte" de José Saramago. Um livro questionador e deveras interessante, que aconselho a qualquer um a desfolhar. Assim, tentando suscitar a vossa curiosidade, deixo aqui dois excertos.

"Todos os jornais, sem excepção, publicavam na primeira página o manuscrito da morte, mas um deles, para tornar mais fácil a leitura, reproduziu o texto em letra de forma de corpo catorze dentro de uma caixa, (...) sem esquecer a assinatura final, que passou de morte a Morte, uma diferença inapreciável ao ouvido, mas que irá provocar nesse mesmo dia um indignado protesto da autora da missiva (...) Na tarde deste mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou à redacção do jornal uma carta da morte, exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata retificação do seu nome, senhor director, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplesmente morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem por sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem, (..) esta pequena morte quotidiana que eu sou, esta que até mesmo nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão a saber o que é a Morte com letra grande (..)"

"O diapasão regressara ao silêncio, o violoncelo recuperara a afinação e o telefone tocou. O músico sobressaltou-se, olhou para o relógio, quase uma e meia. Quem diabo será a esta hora, pensou. Levantou o auscultador e durante uns segundos ficou à espera. Era absurdo, claro, ele é qe deveria falar, dizer o nome, ou o número do telefone, provavelmente responderiam do outro lado Foi engano, desculpe, mas a voz que falou tinha preferido perguntar, É o cão que está a atender o telefone, se é ele, ao menos que faça o favor de ladrar. O violoncelista respondeu, Sim, sou o cão, mas já há muito tempo que deixei de ladrar, também perdi o hábito de morder, a não ser a mim mesmo quando a vida me repugna (...)"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Onde está a razão no meio disto?

Um dia destes que por aqui passam, dei por mim a pensar no comportamento dos seres vivos.
Os potros, pouco após de nascer, erguem-se e conseguem caminhar quase de imediato.
As tartaruguinhas eclodem dos ovos onde estiveram encerradas e andam em direcção ao mar, onde posteriormente seguirão o rumo da sua vida.
As aves, embora mais frágeis, permanecem nos ninhos depenadas, mas comunicam perfeitamente com os seus progenitores, que através dos seus pios, sabem o que os seus rebentos querem.
Nós, os humanos e seres dotados de razão e inteligência, quando vimos para este mundo, comunicamos através do choro, frequentemente incompreensível para os que cuidam de nós, não caminhamos nem gatinhamos, só mais de meia dúzia de meses é que alcançamos esses feitos, e não erguemos o rosto com a vontade de enfrentar o futuro, pois como pequenas formas de vida que somos, não temos a noção do que enfrentamos.
Concluíndo, não deveria a razão e inteligência dotar-nos de mais capacidades à nascença? Ou será essa uma espécie de equilibrio ou contrapartida, para que nos assemelhemos às restantes espécies?
É apenas um mero pensamento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O mundo (parte 2)

Atravessando a porta do meu lar, sinto a luz banhando a minha face e o calor que com ela traz, ouço os sons já há muito esquecidos e vejo o que me rodeia, tudo com plena atenção. Ah! Como é bom sentir estes outros ares, estas outras paisagens. Inspiro e expiro. O ar renova-se nos meus pulmões. Já não é aquele gás contaminado com dor, solidão e mágoa. É um outro que contém esperança, saudade e paz.
Sento-me na relva fresca do jardim que situa em frente à minha casa, àquela nossa casa. Tudo me parece tão novo e colorido. Tudo me parece tão bom. E como por magia, esta manhã traz ainda mais boas notícias e acontecimentos.
Olho para a minha esquerda e vejo um amigo, daqueles que me ajudaram no princípio mas a quem renunciei nos tempos que se seguiram. Depois vejo outro. E mais outro. Eles miram-me, espantados, e cada um deles abraça-me. Eu sorrio. Eles sorriem também. Então, contem-me novidades!... Quero saber de tudo o que aconteceu. E o teu trabalho? A tua sogra como vai, já está melhorzinha? … - Vou perguntando. E a conversa prolonga-se até ao final da tarde.
Voltar-nos-emos a ver – prometi. A companhia dos meus camaradas é essencial no processo de recuperação, e não só, devo-lhes muito, devo-lhes a minha amizade, que infelizmente não se mostrou nestes meses, neste ano.
Regresso a casa após aquele tempo de convívio. Já não me assusta o regresso ao Lar. Abro as janelas, mudo os lençóis, limpo o pó e varro o lixo. O aroma Dela ainda está presente e sei que nunca desaparecerá, mas as divisões gritavam por uma limpeza.
Depois adormeço. O meu corpo, arrebatado pela força dos acontecimentos e sensações, deixa-se cair sob a frescura da cama.
Surge um novo dia. Remexo nas coisas dela, não com o intuito de bisbilhotar, mas sim com a vontade de encerrar um capítulo. Esse capítulo negro que não me deixava recordá-La da forma correcta. Que me enchia de pessimismo e cobria de areia os meus olhos, escurecendo as minhas memórias. Revejo tudo com muito carinho, luto para que as lágrimas não caiam, porém algumas escapam-se, e arrumo os objectos com extremo cuidado. Há uma memória Dela em cada canto. Há a presença Dela em cada esquina. Todavia, finalizada a tarefa, consigo lidar com isso com tanto amor como o que Ela sabia que eu sentia. E sim, agora restam somente as saudades da sua presença, a eternidade dos seus actos e gestos, dos seus beijos e toques no meu rosto, de todas as suas acções e características no fundo. Tudo isso permanecerá para sempre.
Amanhece. Volto ao trabalho, retomo os meus horários e sou útil para a sociedade de novo. Afinal ainda não me esqueci como eram feitas as coisas e realizadas as funções. Uma parte da minha vida é dedicada agora à actividade laboral.
E o Sol volta vezes e vezes sem conta.
Recuperei.
Cada dia agora é vivido e sentido.
Cada dia agora é um minuto, é um mês.
Surgem novas aventuras e desafios a que não renuncio. Pois viver já é em si mesmo um deles, tanto uma aventura como um desafio, tanto uma loucura como um acto seguro, tanto uma seriedade como uma leveza. E continuo. Porque era o que Ela queria e porque assim o deveria fazer.
Estou em comunhão com os que me querem bem permanentemente. Olho para o retrato Dela constantemente. Trabalho em cada semana continuamente.
Vou a baixo por vezes, mas sei que não desisto. Tenho a força Dela a mover-me. E falo-lhe todas as noites, revelando-lhe o meu sentir e o decorrer daquelas horas, ou melhor, os acontecimentos que as preencheram. Nada lhe escondo. Nem os amores ou desamores, como Ela referira. Quer dizer, só acontecera por duas vezes, contudo, por respeito a Ela e ao sentimento que nutro e que estará indefinidamente presente, conversei frontalmente com as senhoras em questão e apenas se estabeleceram boas amizades, aliás, nunca fora algo mais, na minha perspectiva.
Assim vivo. Assim existo e actuo. Assim espero por ti Miriam, no fim do meu tempo neste mundo. É o que me guia. A minha maior esperança. Uma certeza já confirmada, talvez...
Até breve, meu amor.

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08 e 09 de Agosto de 2009
Autoria de: Sara Silva.