E no encurtar da distância, aproximo-me dos Sonhos. Daqueles que busco, insaciada, porque são gotas e gotas que preenchem esta imensidão que é a vida.
sábado, 23 de julho de 2011
O poder da música
Sonolenta, de me deitar tarde e acordar tarde, num vício e refúgio dificilmente controlável, deixei-me embalar por essas músicas, enquanto permanecia deitada.
Com aquelas melodias calmas, senti-me a regressar ao passado, a um tempo incerto.
Senti parcialmente aquela doce saudade que nos acompanha em elaborados sonhos juvenis, de quem quer tudo, mas não se sabe ao certo o que fazer.
Quando a realidade era suave e as dificuldades disfarçadas com momentos unicamente pueris.
E sonhar não custava, porque não conhecia bem os limites que me eram impostos, as barreiras que me impediam de ir mais longe. Vivia descontraída, saboreando emoções.
E agora?... Ainda restam alguns instantes desse sentir.
Será que a fase adulta ou a transição para a mesma nos faz perder esse carácter sonhador?
Ou por nos tornarmos mais responsáveis, passamos a delinear mais frequentemente objectivos tangíveis? Porque seria ignorância renunciar à impossibilidade de certos desejos e portanto, inútil viver face a eles.
Mesmo assim, cada vez mais consciente do mundo que me rodeia, ainda sonho, porque essa liberdade, ninguém me tira.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A rola
Então, era uma vez uma rola. Pequena, atrevida e arrojada, provavelmente com a fome a dominá-la, abeirou-se da gaiola da rola que está cá por casa há anos e anos, e que não fugiu quando eu e a minha irmã a tentamos libertar, feitas defensoras dos direitos dos animais (embora tivéssemos de facto alguns desses ideiais).
Subiu para o topo dela, agarrou-se aos ferros com afinco e nem sequer se assustou quando, espantadas, nos deparamos com ela a tentar abicar-se ao comer da outra sua semelhante.
Espalhamos milho pelo pequeno pátio e estendemos uma tigela de comida de cão com água, a servir de bebedouro, e a malandra não arredou pé, nem quando estava satisfeita.
Cirandou, cirandou... e desapareceu.
Pensamos que já deveria ter regressado ao ninho ou para junto do seu grupo, mas no dia seguinte voltou a aparecer.
Mais uma dose de comida, de água, bons tratos, muita meiguice por aquela pequena criatura.
E foi vindo, uma vez e outra. Ficou freguesa da casa, dos luxos oferecidos, sem custos acrescentados. É uma rola com olho para o negócio, sabe bem lucrar a troco de nada.
E dizem que somos os seres mais inteligentes? Perto da bancarrota, com ratings que nos mandam para o lixo e a sofrer crises mundiais, quando estes pequenos seres nos mais simples actos nos mostram a verdadeira inteligência.
Mas a história não fica por aqui. De tão freguesa da casa que se tornou, que se sentiu confortável a entrar por ela adentro sem pedir "com licença" (a fotografia acima colocada demonstra isso mesmo). E já o fez mais do que uma vez até os dias de hoje.
Também há direito a uma reviravolta! Um vizinho que achou que ela de tão próxima que estava, decidiu juntá-la à outra, aprisionando-a no mesmo espaço cerrado. Quando a encontrei, caminhando desastrosamente pelos ferros, apoderando-se da comida, decidi, após uma conferência com a minha mãe para saber do autor daquele feito, retirá-la daquele sítio.
Talvez por ter sido forçada àquele ambiente decidisse virar-nos costas, como dona do seu próprio destino, mas por uma qualquer força misteriosa ela permaneceu por perto.
Digam que é instinto animal, afirmem que as leis da sobrevivência se sobrepõem à mente da ave, mas há algo que me diz que a sua presença recorda uma outra, um regresso a casa, um entrar de novo pelas portas que é muito bem vindo. Porque se a sobrevivência falasse mais alto ela não deixaria que nos aproximássemos dela, nem permaneceria quieta junto a nós ou à nossa habitação enquanto executamos tarefas diárias e rotineiras, correndo riscos desnecessários.
Conquanto o tempo esteja de chuva e ainda não a tenha visto hoje (ou ontem, porque já passou da meia-noite), sei que se esconde por entre os ramos da árvore acolhedora, protegendo-se das gotas que caem do céu, aquele pequeno ser a quem já chamo de "nossa rolinha".
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Mistério do vento

quarta-feira, 13 de julho de 2011
Situação actual
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Banalidades...
Que ricas férias solarengas só em imaginação, mas é pura maldição que abate sobre o norte. No sul, nem nuvem que passe... É tramóia do aquecimento global, de certo.
Mas vá que vá, o tempo ainda é longo e dará para muito. E a chuva pode trazer outras oportunidades. Há que manter a esperança e a expectativa vivas.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Festa
É a folia, é o êxtase do povo! Celebra as alegrias para esquecer as tristezas e mágoas da vida, do dia-a-dia. Que rica fuga, deliciosa aventura, à maneira bem do português.
E porque não se ser diferente, mas ser igual a tanta gente?
Entrelaçam-se os braços, abanam-se ancas e dão-se voltas e voltas. Os olhares cruzam-se, entre rusgas e companhias. Os gritos, os encontrões... No meio de tantas confusões, eis que a alma familiar clama e se acende a chama. Fala a voz da atracção, da paixão. Um passo, cada vez mais perto. Um toque, um arrepio, tanto acontece num rodopio...! As massas movem-se e o desenlace ocorre. Esse que num conjunto de minutos se criou, num segundo só se foge.
E a festa continua, porque o povo permanece na rua.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
S. João a caminho!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Porque gritamos?
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus
discípulos:
“Porque é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”
“Gritamos porque perdemos a calma”, disse um deles.
“Mas, por que gritar quanto a outra pessoa está a seu lado?” Questionou
novamente o pensador.
“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrocou
outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
“Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”
Várias outras respostas
surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações
afastam-se muito. Para cobrir esta distância precisam de gritar para poderem
escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que
gritar para se ouvirem um ao outro, através da grande distância. Por outro
lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam.
Falam suavemente. E porquê? Porque os seus corações estão muito perto. A
distância entre elas é pequena. Às vezes os seus corações estão tão próximos,
que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não
necessitam sequer de sussurrar, apenas se olham, e basta. Os seus corações
entendem-se. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão
próximas. “
Por fim, o pensador conclui:
“Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem,
não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a
distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.”
Mahatma Gandhi