E no encurtar da distância, aproximo-me dos Sonhos. Daqueles que busco, insaciada, porque são gotas e gotas que preenchem esta imensidão que é a vida.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Conversas Inventadas... VIII
- Como vislumbrar o arco-íris no meio da tempestade e inconstância meteorológica?
- Exactamente.
- Ah!... Se fosse fácil fazer isso, se o mirasse em todos os contextos de dificuldade...
- Seria sinal de presença apaziguadora. Conheço essa sensação que procuram.
Surrurando, digo:
- Shh...É segredo... É uma busca do intímo.
- Fica entre nós então.
- Obrigada.
Conversas Inventadas... VII
- Triste do dia em que se tornam necessárias.
- Feliz do dia, pois é da maneira que crescemos, que evoluímos como seres humanos e como pessoas. Faz parte da história de cada um.
- E que contos se redigem em folhas da vida...
- São aventuras em papel, traços irrepetiveis e únicos, com direitos de autor incluidos, que os póprios escritores desenvolvem, por vezes com a ajuda de uma mãozinha dali ou daqui, outras vezes por si só. E só isso já é outra história.
- Sabes o que acho?
Com ar traquina profere:
- Ainda não mo disseste.
- Oh! Pois... Se somos quase 7 biliões, sem contabilizar os outros seres vivos, e se o nosso planeta possui outros biliões de anos, onde viveram outras espécies e outros seres humanos ou pseudo-humanos, já imaginaste como deve ser o livro da humanidade e da biologia térrea?
- Nunca tinha cogitado sobre isso, mas deve ser muito denso e volumoso.
- E quem carrega esse peso é a Mãe Natureza.
- Coitada! Com os efeitos colaterais das nossas acções a sua alma jamais se endireitará.
- É o mal destes dias...
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Conversas Inventadas... VI
- Sim, nesse campo (e noutros quiçá) podemos considerar isso.
- Mas sabes o que é misterioso nos seus contornos e modos de acção?
- O que reúne tais condições?
- Deus. O dito Senhor Lá de Cima de que falávamos há pouco, com o dito respeito adjacente.
- É uma perspectiva interessante. Lá está, há a certeza de uma entidade superior ser de existência incerta. Uma excepção ao "aleatorismo".
- Essas questões são estranhas. Mexem com tantas crenças, com a fé e a espiritualidade. E é estranho porque desconhecemos as faces, os rostos e o corpo, porque tudo é encoberto. E já dizia um professor meu que "Estranho é Deus porque é misterioso". Talvez tenha a sua razão.
- Se calhar isso suscita fascínio, é uma característica atractiva dessa figura divinal que nos leva a crer nela. Mas há questões que nos transcendem, necessidades superiores a nós que nos levam a isso.
- Necessidade de conforto, de esperança, de confiança...
- Sim.
- Em suma, a necessidade de bem-estar próprio e de equilíbrio com o meio que nos rodeia e onde nos inserimos. Em dada altura, inevitavelmente, ela surge.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Conversas Inventadas... V
- Foram esses mesmos que me levaram a sentir isso por ti, para além da ligação biológica que partilhamos. E permanece exactamente igual àquele momento.
- Eu acredito.
Cogito internamente. Depois exprimo-lhe o que me vai na mente.
- O amor, essa força divinal, que movimenta céus, mares e montanhas, faz-me também questionar as forças superiores que nos movem, que nos conduzem e que, em suma, actuam sobre nós. Tu ainda crês nelas?
- Creio na força que cada um possui, no Deus próprio que habita no âmago da alma e é fonte de esperança, guardando em si o princípio dos grandes actos do Homem. No entanto, defendo igualmente a existência de uma entidade superior, mas não tão rigída nem controladora como a tomam.
- Lembro-me de pensar assim. Agora... Agora resta a fé que me move de modo incerto. Mas continuo a crer em Deus e na maioria dos princípios do cristianismo.
- Mantés-te fiel ao fascínio de infância. É impressionante como a idade te trouxe quase ao mesmo ponto.
- É verdade. Mas os caminhos são misteriosos. Há ganhos e perdas, há azares e sortes, vindos de súplicas ou do acto da Fortuna. E quantas vezes já atendeu aos meus pedidos!....
- Talvez porque são honestamente sinceros. Mas com mais oração ou menos compromisso, dependendo da sua fiabilidade como religioso, ninguém sabe aonde isso nos levará.
- São mistérios.
- Cada passo dependerá de outro, mas nunca saberemos qual o percurso que os mesmos imprimirão na fina areia durante todo o seu caminho. Nem no fim.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Conversas Inventadas... IV
- Então que a outra parte se ausente por ti. Talvez baste.
- Tem sido assim e para já ainda não me desfragmentei definitivamente... Há sempre um elemento coesivo.
Olho para o horizonte.
- Eu era para escrever sobre o amor na véspera do dia de S. Valentim, um dia especial por duas razões...
- Que uma delas seja um marco sorridente no percurso da vida.
- Ambas acabam por o ser.
- Estás certa, de facto.
- Eu era para falar disso, mas a ocasião passou.
- O amor sobrevive, vive ainda um pouco por todo o lado. Não é um dia que o determina.
- Certamente. Mas... será ele utopia?
- E o que é que não o poderá ser? Quem garante que a realidade não é utopia?
- Déscartes garantiu-o: "Penso, logo existo".
- Ciências não quebram os limites da mente, ela que navega por mundos inimagináveis, ilusórios até.
- E então e ele...
- Ele existe. Existe como nós existimos. Se formos ilusão, ele será ilusão, porque somos nós que o fazemos. Mas mesmo assim será um doce engano que acalenta corações, eleva espíritos, sustem vivências, aquele que procuramos e por algumas vezes encontramos.
- Eu tenho a sorte de o ter achado em momentos e dele ter permanecido.
- Sei que te escapou nalgumas ocasiões...
- Talvez nem o tenha sido, não na sua unidade, do eu e tu que formam nós. Mas águas passadas não movem moinhos.
- Outras águas correm para dar seguimento ao curso desse rio, onde serás barquinho resistente. Estou certa disso.
- Oxalá o seja... E sabes onde o achei com mais força e mais pureza?
- Não...
Volto-me e entrego um abraço de novo.
- Aqui.
(Iniciada a 13 de Fev.; finda a 17 de Fev.)
Conversas Inventadas... III
- E como é bom enfrentar o que nos rodeia sem barreiras. Apenas nós e o pensamento.
- Verdade.
- Costumas fazer isso com frequência?
- A todo o tempo.
- Eu também me perco bastante nas minhas imaginações.
- Quando o coração é pleno de desejos, esses são enviados às células cerebrais a cada pulsar, tornando a mente num terreno fértil, propício ao crescimento de multiplos cenários.
- Então é assim que eles nascem. Sabes o que queria agora? Agora, o que mais queria era ficar aqui...
- Mas espera-te o mundo.
- O mundo é muito grande para um ser pequeno como eu.
- Pois é. Mas por algum motivo te colocaram nele.
- Eu sei...
- E eu continuo aqui. Continuaremos aqui nestas conversas.
Suspiro.
- Está bem. Eu vou. Mas volto.
- Cá te esperarei.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Conversas Inventadas... II
- Não tem.
- Exacto.
Um momento de silêncio.
- Sabes como isto começou?
- Um devaneio da saudade.
- Acompanhado de uma explosão de remoinhos guardados.
- Libertá-los tornou-se uma necessidade, eu sei.
- Pois foi. Não conseguia aguentá-los... E o que seria de nós se tivessemos que carregar este peso para sempre? Peso que se acumula dia após dia, hora após hora, em todos os momentos da nossa vida.
- Em dada altura ficaríamos com problemas nas costas.
- Ora nem mais.
- E a alma também se entortava, pois seriam muitas as gavetas que ficariam cheias de sentimentos, memórias, emoções...
- Chegar a esse ponto deve ser terrível. Aposto que não há metal que resolva uma alma entortada.
- Há sempre o desabafo, uma mão e ombro amigos ou até um sorriso que servem como remédios espirituais.
- Uma certeza indubitável.
- Ainda hão-de inventar doutores da alma e medicamentos para os tormentos da mesma.
- Já há. Temos os psicológos e os psiquiatras e alguns medicamentos como os psicofármacos que actuam a esse nível.
- Mas resume-se tudo à biologia, ao esperado, ao previsto. Se pudesse, um dia revolucionaria isso.
- Não duvido. Eras a nossa promessa desse futuro turbulento.
- Que bom é sonhar. Desejar, querer, desde que não em demasia, não compulsiva e obsessivamente. Sonhar, faz-nos ir mais além, quebrar as barreiras da realidade, do visível, ansiar por contextos diferentes. Sabes, este também pode ser um bom método para endireitar a alma.
- O quanto a endireito então...
Sorrimos.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Conversas inventadas... I
Um abraço, um toque, um reviver do passado.
- Diz-me, por favor, sabes o que virá?
- O que virá é incógnita. Segredo a sete-chaves nas mãos do Criador.
- Mas será bom?
- E o mau também não se pode tornar bom?
- Mas será difícil?
- Que seria da vida sem um pouco de dificuldade?
- Tens razão.
- A vida é sopa de momentos variados. Composta um pouco por tudo. Inesperados e esperados. Absolutamente imprevisível a longo prazo.
- Maldito futuro que nos reserva mistérios.
- Mistérios esses que se não fossem surpresas seriam incompletamente vividos e saboreados.
- As surpresas assustam-me. Não as temo, não as rejeito, mas abalam-me porque não me permitem saber como reagir.
- Ora aí está. Não penses, não planeies, apenas age com consciência, a consciência que possuis e que te tem guiado.
- Vou tentar. Mas não é fácil.
- E quem disse que o que não é fácil tem menos sabor?