domingo, 27 de dezembro de 2009

Potencialidades que escapam...

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

É Natal, é Natal...

Desejo a todos os visitantes deste meu espaço um
felicíssimo Natal, repleto de alegria e celebrado em paz
e harmonia com os mais próximos.

Band Aid 20 - Do they know it's Christmas?

It's Christmastime, there's no need to be afraid
At Christmastime, we let in light and we banish shade
And in our world of plenty we can spread a smile of joy
Throw your arms around the world at Christmastime

But say a prayer, Pray for the other ones
At Christmastime it's hard, but when you're having fun

There's a world outside your window
And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing
Is the bitter sting of tears
And the Christmas bells that ring there are the clanging chimes of doom
Well tonight thank God it's them instead of you

And there won't be snow in Africa this Christmastime
The greatest gift they'll get this year is life
Where nothing ever grows
No rain nor rivers flow
Do they know it's Christmastime at all?

Here's to you
Raise a glass for everyone
Spare a thought this yuletide for the deprived
If the table was turned would you survive
Here's to them
Underneath that burning sun
You ain't gotta feel guilt just selfless
Give a little help to the helpless
Do they know it's Christmastime at all?

Feed the world - [repeated]

Feed the world
Let them know it's Christmastime again - [repeated]

Feed the world - [repeated to end]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

... sou dessas pessoas

Aqui fica uma sugestão:

- Recomendo a leitura de um poema que a autora do blogue http://sdf089.blogspot.com colocou no seu belíssimo espaço. É da autoria de Nadine Stair e refere-se ao que a poetisa fazia, caso pudesse voltar a viver a sua vida.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tempestade...

Nestes traços comuns,
Soa o vento raivoso
Procura-me, prende-me,
Mas nada me diz, o mentiroso.


As nuvens, lá no alto, esvoaçam,
Fogem a sete pés,
Fogem das desgraças,
Que os fados ameaçam.
Cobardes...


Olho em redor,
estremecem as verduras,
acautelam-se o seres,
sentem-se as fervuras
das coisas que estão para vir,
para acontecer.

E então, cai a chuva.
Do obscuro nascimento
Se afogam no mundano.

Esperávamos expectantes,
Mas redime-se a Natureza,
Perdoa-nos os males,
Que fazemos com certeza.

Finda a tempestade.
Leva-me a emoção,
Leva-me a perigosidade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Percorrer o caminho...

“ Viver a vida não é demais,

Viver os sonhos nunca é demais,

encontrar saída não é demais,

saber quem somos nunca é demais”

-

Just Girls & 4Taste

-

“Ei! Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vou viver a vida!”

-

Boss AC

-

Pequenos refrões com importantes mensagens.

E qual é objectivo da vida? Talvez isso não tenha tanta importância assim. O principal, a meu ver, é percorrer o caminho, coleccionando lições, aprendendo a cada passo dado, sem nunca desistir.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Divagações....

No outro dia ia iniciar um mero discurso que tanto insere mas nada diz, um discurso por escrito, mas desisti dessa ideia uma vez que o cansaço era mais forte. Hoje apetece-me fazer algo assim. Escrever simplesmente por escrever, para libertar uns ou outros sentires e umas ou outras palavras que aprisiono cá dentro.
E de que falarei?
Dos horrores deste mundo? Já os mencionei noutros tempos.
Dos relances de bondade? Também já os referi.
O que resta pelo meio? Resta a vida. A comum e banal vida, que sagradamente nos foi concedida. Aquela que nos acolheu desde o primeiro momento em que o espermatozóide entrou um contacto com o ovócito II e não nos deixou senão até à apoptose da totalidade das células constituintes do nosso ser.
Surge sem aviso prévio, não olha a superficialidades e nem se quer determina o seu destino, apenas aparece e faz-nos aparecer também, faz-nos ser e existir. E por mais tragédias e catástrofes que traga, é ela também que nos dá a oportunidade de sentir e vivenciar o que de melhor existe.
Digna de um extremo valor, a vida é o que faz com que exista tudo o que há para existir, pois sem ela não teríamos conhecimento de todo este conjunto de situações e factos, até das coisas que se encontram desprovidas da sua essência. Mas com ela, abrimos os olhos para um outro mundo, despertamos a alma para novas realidades e somos aquilo que está determinado sermos, mas que por nossa força podemos igualmente remodelar.
É a vida e somos nós. Uma relação absolutamente dialéctica.
É o mundo e o pensar, ligados um ao outro.
É o que é, o que tem de ser e o que acaba por ser.
E é tudo por hoje, mergulhando nesta madrugada.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Imagine...

John Lennon - "Imagine"

Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desafios

Desafio Roxie


As regras são as seguintes:

  1. Exibir a imagem do selo "O seu blog é Roxie"
  2. Escrever 5 coisas que são Roxie
  3. Apelidar de Roxie outros blogs
  • A - Música: The Fray, Lifehouse, T.A.T.U., entre outros.
  • B - Televisão: Séries da Foxlife, Dr. House, Morangos com Açúcar por vezes...
  • C - Três países que sonho conhecer: Itália, algum país africano e o meu próprio país, Portugal, ainda há tanto por conhecer.
  • D - Três cores que eu gosto: Azul, Vermelho e Roxo
  • E - Hobbies: Ler, trabalhos manuais, escrever, estar no computador e passear.

Quanto aos blogues Roxie, considero como o sendo todos os blogues da minha lista.

Quem quiser responder ou efectuar estes desafios, que esteja à vontade para tal.

O desafio da Palavra

O desafio consta responder às perguntas com uma palavra que comece pela mesma letra que o teu nome.

  1. Qual o teu nome: Sara
  2. Uma palavra com nove letras: Sabedoria
  3. Um nome de menino: Sérgio
  4. Um nome de menina: Sofia
  5. Uma profissão: Serralheiro
  6. Uma cor: não me recordo -_-'
  7. Uma coisa que se veste: Sweat
  8. Uma bebida: Santal
  9. Uma comida: Sopa
  10. Alguma coisa que se encontre na casa de banho: Sabonete
  11. Algum lugar: Sagres
  12. Alguma razão para se atrasar: Saúde
  13. Algo que se grita: Santinho!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma palavra...


O amor é um acto de perdão infindável,
um olhar terno que se torna um hábito.

Peter Ustinov
P.S. - Trazida até mim por uma amiga :)

"Intermitências da morte"

Terminei, recentemente, de ler o livro "As intermitências da morte" de José Saramago. Um livro questionador e deveras interessante, que aconselho a qualquer um a desfolhar. Assim, tentando suscitar a vossa curiosidade, deixo aqui dois excertos.

"Todos os jornais, sem excepção, publicavam na primeira página o manuscrito da morte, mas um deles, para tornar mais fácil a leitura, reproduziu o texto em letra de forma de corpo catorze dentro de uma caixa, (...) sem esquecer a assinatura final, que passou de morte a Morte, uma diferença inapreciável ao ouvido, mas que irá provocar nesse mesmo dia um indignado protesto da autora da missiva (...) Na tarde deste mesmo dia, como já havíamos antecipado, chegou à redacção do jornal uma carta da morte, exigindo, nos termos mais enérgicos, a imediata retificação do seu nome, senhor director, escrevia, eu não sou a Morte, sou simplesmente morte, a Morte é uma cousa que aos senhores nem por sombras lhes pode passar pela cabeça o que seja, vossemecês, os seres humanos, só conhecem, (..) esta pequena morte quotidiana que eu sou, esta que até mesmo nos piores desastres é incapaz de impedir que a vida continue, um dia virão a saber o que é a Morte com letra grande (..)"

"O diapasão regressara ao silêncio, o violoncelo recuperara a afinação e o telefone tocou. O músico sobressaltou-se, olhou para o relógio, quase uma e meia. Quem diabo será a esta hora, pensou. Levantou o auscultador e durante uns segundos ficou à espera. Era absurdo, claro, ele é qe deveria falar, dizer o nome, ou o número do telefone, provavelmente responderiam do outro lado Foi engano, desculpe, mas a voz que falou tinha preferido perguntar, É o cão que está a atender o telefone, se é ele, ao menos que faça o favor de ladrar. O violoncelista respondeu, Sim, sou o cão, mas já há muito tempo que deixei de ladrar, também perdi o hábito de morder, a não ser a mim mesmo quando a vida me repugna (...)"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Onde está a razão no meio disto?

Um dia destes que por aqui passam, dei por mim a pensar no comportamento dos seres vivos.
Os potros, pouco após de nascer, erguem-se e conseguem caminhar quase de imediato.
As tartaruguinhas eclodem dos ovos onde estiveram encerradas e andam em direcção ao mar, onde posteriormente seguirão o rumo da sua vida.
As aves, embora mais frágeis, permanecem nos ninhos depenadas, mas comunicam perfeitamente com os seus progenitores, que através dos seus pios, sabem o que os seus rebentos querem.
Nós, os humanos e seres dotados de razão e inteligência, quando vimos para este mundo, comunicamos através do choro, frequentemente incompreensível para os que cuidam de nós, não caminhamos nem gatinhamos, só mais de meia dúzia de meses é que alcançamos esses feitos, e não erguemos o rosto com a vontade de enfrentar o futuro, pois como pequenas formas de vida que somos, não temos a noção do que enfrentamos.
Concluíndo, não deveria a razão e inteligência dotar-nos de mais capacidades à nascença? Ou será essa uma espécie de equilibrio ou contrapartida, para que nos assemelhemos às restantes espécies?
É apenas um mero pensamento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O mundo (parte 2)

Atravessando a porta do meu lar, sinto a luz banhando a minha face e o calor que com ela traz, ouço os sons já há muito esquecidos e vejo o que me rodeia, tudo com plena atenção. Ah! Como é bom sentir estes outros ares, estas outras paisagens. Inspiro e expiro. O ar renova-se nos meus pulmões. Já não é aquele gás contaminado com dor, solidão e mágoa. É um outro que contém esperança, saudade e paz.
Sento-me na relva fresca do jardim que situa em frente à minha casa, àquela nossa casa. Tudo me parece tão novo e colorido. Tudo me parece tão bom. E como por magia, esta manhã traz ainda mais boas notícias e acontecimentos.
Olho para a minha esquerda e vejo um amigo, daqueles que me ajudaram no princípio mas a quem renunciei nos tempos que se seguiram. Depois vejo outro. E mais outro. Eles miram-me, espantados, e cada um deles abraça-me. Eu sorrio. Eles sorriem também. Então, contem-me novidades!... Quero saber de tudo o que aconteceu. E o teu trabalho? A tua sogra como vai, já está melhorzinha? … - Vou perguntando. E a conversa prolonga-se até ao final da tarde.
Voltar-nos-emos a ver – prometi. A companhia dos meus camaradas é essencial no processo de recuperação, e não só, devo-lhes muito, devo-lhes a minha amizade, que infelizmente não se mostrou nestes meses, neste ano.
Regresso a casa após aquele tempo de convívio. Já não me assusta o regresso ao Lar. Abro as janelas, mudo os lençóis, limpo o pó e varro o lixo. O aroma Dela ainda está presente e sei que nunca desaparecerá, mas as divisões gritavam por uma limpeza.
Depois adormeço. O meu corpo, arrebatado pela força dos acontecimentos e sensações, deixa-se cair sob a frescura da cama.
Surge um novo dia. Remexo nas coisas dela, não com o intuito de bisbilhotar, mas sim com a vontade de encerrar um capítulo. Esse capítulo negro que não me deixava recordá-La da forma correcta. Que me enchia de pessimismo e cobria de areia os meus olhos, escurecendo as minhas memórias. Revejo tudo com muito carinho, luto para que as lágrimas não caiam, porém algumas escapam-se, e arrumo os objectos com extremo cuidado. Há uma memória Dela em cada canto. Há a presença Dela em cada esquina. Todavia, finalizada a tarefa, consigo lidar com isso com tanto amor como o que Ela sabia que eu sentia. E sim, agora restam somente as saudades da sua presença, a eternidade dos seus actos e gestos, dos seus beijos e toques no meu rosto, de todas as suas acções e características no fundo. Tudo isso permanecerá para sempre.
Amanhece. Volto ao trabalho, retomo os meus horários e sou útil para a sociedade de novo. Afinal ainda não me esqueci como eram feitas as coisas e realizadas as funções. Uma parte da minha vida é dedicada agora à actividade laboral.
E o Sol volta vezes e vezes sem conta.
Recuperei.
Cada dia agora é vivido e sentido.
Cada dia agora é um minuto, é um mês.
Surgem novas aventuras e desafios a que não renuncio. Pois viver já é em si mesmo um deles, tanto uma aventura como um desafio, tanto uma loucura como um acto seguro, tanto uma seriedade como uma leveza. E continuo. Porque era o que Ela queria e porque assim o deveria fazer.
Estou em comunhão com os que me querem bem permanentemente. Olho para o retrato Dela constantemente. Trabalho em cada semana continuamente.
Vou a baixo por vezes, mas sei que não desisto. Tenho a força Dela a mover-me. E falo-lhe todas as noites, revelando-lhe o meu sentir e o decorrer daquelas horas, ou melhor, os acontecimentos que as preencheram. Nada lhe escondo. Nem os amores ou desamores, como Ela referira. Quer dizer, só acontecera por duas vezes, contudo, por respeito a Ela e ao sentimento que nutro e que estará indefinidamente presente, conversei frontalmente com as senhoras em questão e apenas se estabeleceram boas amizades, aliás, nunca fora algo mais, na minha perspectiva.
Assim vivo. Assim existo e actuo. Assim espero por ti Miriam, no fim do meu tempo neste mundo. É o que me guia. A minha maior esperança. Uma certeza já confirmada, talvez...
Até breve, meu amor.

--------------------------------------------------------- FIM -------------------------------------------------------------

08 e 09 de Agosto de 2009
Autoria de: Sara Silva.

domingo, 26 de julho de 2009

O mundo (parte 1)

E tudo veio com um turbilhão.
Naquele dia, mal tinha eu chegado a casa, o telefone já tocava. Do outro lado da linha estava uma pessoa da qual nunca ouvira falar. Aquela voz rouca de homem questionou-me se era eu o marido de Miram, ao que respondi com ternura ao lembrar-me dela: “Sou sim”. Queria dizer-me algo pessoalmente. Dadas as indicações e a minha morada, pousei o auscultador e então comecei a cogitar. Os meus neurónios trabalhavam a mil à hora. Uma das coisas que pensei, e que assumi como facto provável, era que ela se havia metido em sarilhos, pois sempre tinha sido um pouco rebelde.
Uns breves minutos depois bateram à porta. Conversei com um senhor da polícia, o senhor Camilo, e ele percebeu como me sentia. Para que não houvesse mais suspense acabou por revelar a verdade: “Ah…A sua mulher faleceu esta manhã. O seu corpo foi encontrado no beco da Luz e já o levaram para o Instituto de Medicina Legal. Precisamos que o senhor vá lá de modo a identificá-lo.” E eu fui. Fui com o senhor Camilo.
Entrei numa sala de metal gelada e vi-a… Vi-a tão serena, tão quieta, e tão bonita!... Mas o seu tom de pele era mais amarelado, com doces tons vermelhos e azuis, e outros da combinação dos anteriores, e as suas unhas estavam negras. Pedi para segurar a sua mão. Ao tocar-lhe… ao senti-la… desatei a chorar. Fiquei de tal modo descontrolado que tiveram de me segurar pelos ombros para que saísse daquela sala, levando-me de seguida para casa.
Os meus amigos souberam da notícia e aprontaram-se a tratar do funeral. Eu contribuí com sugestões, expressando algumas das minhas vontades e das vontades dela.
A cerimónia foi simples, comovente, repleta de conhecidos e menos conhecidos. Horas depois, o seu corpo repousava já sob as terras férteis da nossa cidade.
Passados dois meses recebi o relatório da autópsia. Ela havia falecido com uma overdose de uma droga qualquer. Achei tão estranho… Questionei-me, e questionei o que quer que me ouvisse, dias e dias a fio. Quando o cansaço se abateu sobre mim, e a desilusão por não ter encontrado qualquer resposta veio ao de cimo, soltei a pergunta para que ela pudesse voar para fora da minha mente, não pensando mais sobre isso.
Nos meses após esses tempos, já não ia ao trabalho, não respondia a telefonemas, nem abria a porta a conhecidos. Ainda tinha tentado fazer isso nas primeiras semanas, mas custava demasiado… era demasiado penoso. Deixei-me ficar por casa, a percorrer os seus cantos de vez em quando. Aos poucos e poucos deixei fugir pedaços de mim. Refugiei-me num espaço particular. Tornei-me num solitário deprimido com saudades da presença Dela. Então, em determinado ponto (que temporalmente ainda permanece indeterminável), esse espaço particular, esse o meu mundo próprio tornou-se numa ilha, rodeado por uma vastidão de coisas mas longe de tudo. Foi aí que eu vivi todo este tempo. E aí me recolhi neste meu pesar.
Quanto tempo passou!...
Agora compreendo. Retomo o meu estado consciente e ausento-me dessa ilha, retomo de novo o meu lugar. Agora, voltei de novo para o mundo.

09 e 25 de Junho de 2009; 02, 03 e 15 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ilha de retornos

Abri os olhos. Não a vi. Nem vi branco. Nem se quer senti aquela paz que tinha sentido anteriormente. Mas trazia as suas palavras gravadas na minha mente como tatuagens. Olhei em volta e estava em casa, deitado na cama, junto à cómoda. Como tinha vindo ali parar? Ela tinha razão, não deveria reflectir para já, pois o esforço seria em vão. Estendi a mão sem mais demoras e abri a primeira gaveta. Vi o seu batom, lenços, uma caneta e pouco mais. Não deveria ser naquela. Abri a que estava imediatamente abaixo e percorri a roupa interior dela. A certo momento senti algo mais duro por entre os tecidos. Era um papel dobrado. Seria uma mensagem dela? Seria o bilhete… o bilhete do seu fim? Hesitei. Estaria pronto para aquilo? Não queria saber. A curiosidade consumia-me, e quando me apercebi, já o tinha desdobrado.
“Lancelote,
Tomei uma decisão. Pode ser egoísta e não ser a melhor, mas é a que encontrei. Quero que saibas também que não a tomei de ânimo leve, reflecti e reflecti mas continuava a parecer-me que era a solução.
Tu não sabes isto, mas quando ias trabalhar, eu ficava vagueando com o meu corpo flácido pela casa ou pelas ruas. Nunca me dei ao trabalho de resistir ao que sentia e por isso, rendendo-me ao desânimo e à solidão, onde o teu regresso a casa era o único momento que me trazia felicidade, eu virei à esquerda numa rua e deparei-me com um triste cenário. Olhei e achei repugnante, mas continuei nessa direcção, e até me sentei perto de umas pessoas que lá estavam desanimadas como eu. Tomei conhecimento daquela verdade cruel e experimentei o sabor da ilusão, vi coisas que o meu cérebro produzira e sabia que não eram realidade, mas fazia-me sentir tão bem… E continuei a fazer isso praticamente todos os dias. Mas tu não notavas, porque me vias sempre como a mulher que amavas e que achavas atraente. Digamos que também me esforçava por encobrir aquele aspecto doentio e o cansaço que sentia quando não consumia os pós mágicos.
Agora, tendo a minha alma contaminada, não consigo viver mais assim. Estou dependente, estou viciada e não consigo fazer nada mais para lutar contra esse vício. É mais forte do que eu, controla-me, comanda-me. Não quero ser assim sabes? Quero ser mais para ti. Quero ser eu de novo. Quero estar contigo como estávamos dantes, e quero estar no mundo como a mulher viva e alegre que era dantes, mas agora não consigo alcançar isso. Acredita que não. E já tentei. Por isso, tomei esta decisão: a de buscar um novo mundo onde volte a ser eu de novo. Acho que é um mundo calmo, tranquilo, mas certezas disso nunca poderei ter. No entanto, tenho a fé que me guia.
Meu amor, eu voltar-te-ei a ver, eu sei, e quero que sejas feliz sim?
Para todos os casos, fica a saber que te amo e que peço desculpa. ”

26 de Maio de 2009; 09 de Junho de 2009; 25 de Junho de 2009
Autoria de: Sara Silva.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ilha de viagens

Depois de um gentil beijo ela diz-me, sempre do mesmo modo descontraído:
- Não chores. Sabes que eu também te amo. Porque outro motivo casaria contigo? Pela tua dureza não seria.
- Eu sei, estou um caos. Mas amoleceste o meu coração Miriam. Não te quero largar nunca. Podemos ficar assim apenas, para sempre?
- Podes ter a certeza de que eu abraçarei sempre o teu coração, as tuas vontades e objectivos, tristezas e alegrias, vitórias e derrotas, abraçarei todos os teus momentos. Abraçarei até amores e desamores. Quero que sejas feliz.
- Amores e desamores? Miriam, tu és a minha mulher. Não amo mais ninguém desta forma, nem amarei alguém assim. Tu és aquela metade que me faltava.
- Por vezes o que nos falta é um conjunto de varias peças e não somente uma metade.
- Que dizes meu amor? Que dizes? Não digas essas tontices! Eu quero ficar contigo. Quero ficar contigo aqui. És feliz aqui. Eu sou feliz aqui contigo também. Seremos felizes os dois aqui. Mas diz-me, há algo que não percebo, porquê…?
- Para quê pensar nisso? Lancelote, deixa essas reflexões para outras alturas. Quero-te dizer algo e é algo importante.
Escuto as suas palavras sábias.
- Bem, a vida é como um rio. Cada um de nós é um barquinho que navega nele. O que permitirá atravessá-lo e percorre-lo com sucesso é a estrutura do barquinho. Mesmo até os que parecem mais frágeis, mais susceptíveis a afundarem-se, podem ser feitos de madeira rija. E cada um de nós pode moldar a estrutura, mas há sempre pormenores que deverão permanecer intocáveis, talvez porque é impossível modificar tal parte ou simplesmente porque nos parece que essa parte não prejudica o barquinho na totalidade. É preciso sim ter cuidado com a bagagem que entra no barquinho, estando ele já com a estrutura moldada. Demasiado conteúdo não é bom. Pouco conteúdo também não. Apenas o necessário é que deverá entrar, senão o barquinho fica com demasiado peso. Assim, o barquinho pode enfrentar tormentas e até icebergs que não se afunda como o Titanic, e percorre o rio até lhe ser aplicada a justiça. Eu é que deixei que entrasse demasiado conteúdo.
- Que tipo de conteúdo?
- Oh meu amor, aqui há que fazer. Tenho de ir. A resposta encontra-se na gaveta da cómoda. Que engraçado eu ainda saber isto. Eu abraçar-te-ei para sempre, e sempre. Estarei sempre contigo não te esqueças, estarei do teu lado.
- Não te vás Miriam! Fica aqui comigo… Não te vás, não novamente.
- Seria bom não seria? Mas não pode ser. Ver-nos-emos de novo, algures no futuro. Tem sempre essa certeza contigo e percorre o rio como o forte barquinho que és. Eu amo-te.
Beijou-me e vi-a desaparecer, enquanto gritava e declamava o meu amor por ela e suplicava a sua presença e a eternidade deste encontro.

02 de Maio de 2009
Autoria de: Sara Silva.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ilha de encontros e reencontros

-Miriam, tu estás aqui!...
- Onde querias que estivesse Lancelote? Sempre te disse que ao teu lado estaria e não vou deixar de estar. Sou fiel às minhas promessas e aos votos que pronunciei.
- Mas não é possível. Isto não é possível. Quer dizer, tu… Miriam, sabes o que te aconteceu?
- Sei que me sinto feliz agora. Sei que estás junto a mim e não preciso de mais nada, não achas amor?
- Eu nem caibo em mim da felicidade que sinto de estar de novo contigo, mas… mas…
- Não penses! Vive. Não questiones. Segue. Segue-me.
- Para onde?
Ela puxa-me suavemente pelo pulso e encaminha-me até a um local com um rio, e na outra margem observo labaredas, incêndios incontroláveis e ouço gritos. Aqui é oposto. Uma paz apodera-se de mim e dela também. Olho para o chão e nada vejo. Estou a flutuar. Será isto o céu?
- Vês o que me esperava?
Não há horizonte, não há chão nem tecto. Tudo se pinta em vários tons de branco, mais ou menos sujo. Tudo é luz. E as labaredas desaparecem. Ela ganha asas e puxa-me contra o seu corpo imaterial.
- Miriam! Miriam… Que saudades minha querida! Que saudades!
Desmancho-me em lágrimas. Este reencontro… Vê-la… Senti-la… Ouvi-la…
- Não chores. Eu estou aqui. Vou sempre estar. Peço desculpa mas não aguentei. Já viste o que há aqui? Vá lá. Sorri. Estamos de novo juntos.
Pois estamos. E eu abraço-a, sendo eu imaterial também. Não a quero largar. Não a vou largar nunca.
- O quanto precisei de ti! O quanto eu pensei em ti. O quanto eu te amo! Oh Deus! O quanto eu te amo minha querida!

02 de Maio de 2009
Autoria de: Sara Silva.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ilha de surpresas

Que disse eu? Deixei escapar esta verdade? Ah!!! O quanto me pesava no coração e ainda pesa. Eu disse. Eu disse aquilo que temia e temo. Eu soltei as palavras. E sinto agora o sol a esconder-se por de trás de uma grande e almofadada nuvem de tons cinzentos. O céu faz-me caretas mas não lhe ligo. Tornou-se um dia obscuro. Com as manhãs e tardes tão solarengas, depois das minhas palavras vem isto…
Espera. Talvez esteja enganado. Olha, caiu uma gota. Outra atingiu o solo acolá. Esta sagrada chuva só pode ser bom sinal. Como é bom senti-la! Agora que penso, enquanto pequenas gotas escorrem pelo meu pálido rosto e outras encharcam as minhas roupas e molham o meu cabelo negro e curto, este pode ser um sinal de Miriam. Porque não? Milagres acontecem. Não tem que haver explicação para tudo. E ela adorava chuva. Em dias assim, íamos ambos para o meio da rua como crianças estender os braços à Maria das pernas compridas, como dizia a minha querida avó. E ríamo-nos. O quão doce e inocente era a sua gargalhada!... E agora já não a vou ouvir ecoar pelas paredes, pelo meu coração… Mas… seria possível? Nah. Claro que não. Seria? Vou tentar.
- Miram, estás aí? És tu que mandas esta chuva? … Não vou obter resposta, claro. Que doido que estou. Escutando sol e o mar, fazendo pedidos ao tempo, esperando respostas de um outro lado, de um outro mundo. Enlouqueci de certo. O melhor é abrigar-me debaixo daquela palmeira à minha esquerda e esperar que esta chuva que me traz estes pensamentos ridículos desapareça, e não volte mais. O que ela me faz lembrar!... E o tanto que dói. Estou cansado. Estou saturado. Tanta inconstância dá cabo de mim. Pura e simplesmente cansado…
- Lancelote… Viste esta chuva? Ahahah!...

02 de Maio de 2009
Autoria de: Sara Silva.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ilha de realidades

Chegou o momento.
Já estrela da vida se ergueu e se pôs dezenas de vezes. Já descansei, já olhei, já ouvi. Já ganhei força para continuar a reflectir, para encarar o meu passado. E lá me faço eu de forte neste momento, encobrindo as mágoas desta realidade, e prossigo a incompleta (pois da última vez eu rendi-me ao vazio) sequência linear do meu pensamento. Sim, esqueci-me do coração, mas de qualquer das maneiras o mais importante é o que aconteceu. A influência que isso teve. A importância de um único acontecimento e as marcas de uns únicos segundos, de instantes, na vida de alguém. Ai! Se pudesse parar o tempo! Se pudesse voltar atrás!... Talvez invente a máquina tão falada e quebre as barreiras do impossível. Porque não? Com ramos, sonhos e magia talvez a consiga construir e se tal vier a acontecer, terei o gosto de a emprestar a quem lhe quiser dar bom uso. Nesta ilha onde se apresentam realidades, torna-se pouco provável essa hipótese da máquina do tempo, mas enfim, tenho de trabalhar a minha mente para algo e imaginar não custa. Bem, revivendo tempos passados, posso dizer que vivia uma vida normal. Trabalhava num local pouco interessante e não tinha a satisfação no trabalho que desejaria (à custa disto o levantar da cama era bastante penoso), tinha poucos mas bons amigos e sempre que regressava ao meu lar sabia que havia alguém com quem o partilhar. Estes últimos factos eram os que me providenciavam alegria, vontade de viver e de continuar. Ah!... Posso dizer que até era um sujeito feliz, embora que conformado com a rotina diária. Até que um dia cheguei a casa, depois de um exaustivo dia de trabalho, e parecia estar tudo igual, mas eu sentia tudo diferente. Até as flores, os tecidos, os móveis me indicavam isso. Até o ar exprimia que eu tinha razão no meu sentir. E no que me pareceu um instante, foi-me revelado o pressentimento, o acontecimento: Miriam morrera. E essa é a verdade que trago todos os dias no meu coração. Percorre as minhas veias e artérias e vai corroendo-as, vai corroendo o meu corpo, o meu ser, a todas as horas, a todos os minutos. É o que me deixa assim.
Que ilha de realidades esta, porra!

30 de Novembro de 2008 ; 24 de Abril de 2009 ; 02 de Maio de 2009
Autoria de: Sara Silva.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ilha de vazios

A estrela da vida já efectua o percurso contrário dando lugar à Lua que outrora repousava. Com o vagaroso passar do tempo, e já com as energias restituídas, volto aos meus pensamentos. Porque não estaria eu à espera daquilo? O que me impedia de esperar tal coisa? A verdade é que não sou vidente, mas sendo a vida generosa para comigo, porque não estar à espera que algo de mau viesse? Continuaria loucamente esperando que ela apenas me trouxesse coisas boas? Sabia que não. Nunca a vida traz apenas felicidades, alegrias e sorrisos, também existem as tristezas, tragédias e lágrimas. No entanto, mesmo assim, não consigo explicar o porquê de não esperar que algo assim viesse, deveria estar tão longe das minhas imaginações acerca do possível, que nem se quer pus a situação em questão.
O meu coração, esse, havia pressentido que algo estaria para acontecer, contudo, eu não lhe dei razão. Ignorei-o. Tomei como um facto normal os seus batimentos acelerados e enlouquecidos, mas sei agora que ele poderia estar a dar-me um sinal, “aproxima-se algo terrível, aproxima-se algo tenebroso, aproxima-se uma tragédia”, me diria ele em cada batida forte que efectuasse. Se o tivesse ouvido… Se o tivesse escutado, talvez não estaria aqui nesta ilha de vazios. Sou um ser incapaz de escutar o meu coração, de descodificar as suas palavras, e ao que isso me levou. Desculpa coração. Tu avisaste-me. Desculpa. A realidade é demasiado negra para que possa continuar a vê-la com clareza. Não consigo pensar mais... Já fiz um esforço sobrenatural para reflectir sobre as incongruências desta minha vida, desta minha anterior vida. Continuarei com estas reflexões, que dão o mínimo de significado à minha existência noutra altura, agora as 400g de fardo foram restituídas e não tenho mais forças para continuar nestes monólogos da minha mente. Estou cansado e a estranheza persiste. Rendo-me à escuridão e ao vazio. Afinal, tanto regrido como faço progressos. Isto vai demorar tanto tempo como a evolução da criatura que deu origem ao ser humano dos dias de hoje. Tanto tempo, tanto tempo… E o que me espera, também não o sei, só o futuro o saberá.

29 de Novembro de 2008
Autoria de: Sara Silva.

sábado, 9 de maio de 2009

Ilha de Laranja

Vagueio agora por esta ilha onde estou preso.
O tempo não acatou as minhas ordens. Pedi-lhe, expus-lhe as minhas vontades mas nem por piedade ele me concedeu esse desejo. Por conseguinte, só me resta ter o fio de paciência (uma vez que só esse sobrou - os demais voaram pelos ares, afogaram-se em mares, desfiaram-se e até houve alguns que se perderam), e esperar que ele caminhe ao ritmo que tem de caminhar. Para já, ele já fez com que os sussurros se perdessem no infinito, a Lua fosse repousar nos cantos do universo, e as águas – conversadoras e belas como são – iniciassem outra conversa com outra estrela, a estrela da vida. Tons matinais de laranja se espalham pelo céu, pelas águas, pelas árvores e até atingem o meu rosto, finalmente ganhando eu um pouco de cor. Esta ilha agora é laranja e a manhã chegou. Mas a noite deixou muitas dúvidas. As ilusões e encantamentos, que voltaram à minha mente (mais uma vez) nessa negrura, impediram-me de viajar pela terra nos sonhos. Os sussurros quase inaudíveis dos elementos da Natureza e o silêncio inquietante que penetrava esses sussurros e envolvia todos os seres, também contribuíram para que tal acontecesse. E nessa insónia e nessa quietude pude perceber um pouco da realidade de um tempo passado, e como consequência, consegui ver uma parte da minha vida com mais nitidez. 400 g de fardos foram retirados de cima da minha alma e isso trouxesse-me mais calma, mais serenidade, que se reflecte neste texto que redigo. Pude entender que há certas coisas que se tornam inevitáveis, mas acreditamos sempre que nunca irão acontecer, porque nos fechamos a essas possibilidades e elas deixam de ser verdade para nós, tornando-se assim em mentiras. No entanto, não é um caso geral. Eu simplesmente nem pensei que algo assim pudesse acontecer…
O céu agora começa a perder esses seus tons alaranjados e adquire tons azuis. Está na altura de olhar de novo a natureza que nada me diz e nada me dirá (talvez), e mergulhar de novo no meu silêncio. Mais tarde talvez faça a vontade às minhas pálpebras e deixe-las descansar, aliás, o meu corpo todo pede isso. Já demasiado foi relembrado e aquela peça do puzzle não foi restituída. Ao menos já vivo para reflectir e isto é um feito conquistado.

28 de Novembro de 2008
Autoria de: Sara Silva.

sábado, 2 de maio de 2009

Ilha de emoções…

Encontro-me sozinho nesta ilha de emoções.
Olho o céu e ele nada me diz. Olho a lua e ela nada me diz. Vejo a estrela repousar sobre as águas cristalinas, sussurrando-lhe segredos. Aprecio a ternura adjacente àquela conversa, mas como não sou um indivíduo curioso, não permaneço muito tempo atento ao que é dito e recolho-me no meu silêncio. Esta paisagem nada me diz. Tudo bem que não sou um homem totalmente insensível, reconheço perfeitamente a beleza nela inserida, mas o significado disso não o sei. Perdi-me em feições, em expressões e em encantamentos. Perdi-me em ilusões e em vagos sonhos, esquecendo-me das cruéis realidades. Perdi-me e jamais me voltarei a encontrar, sem aquela peça que falta ao meu puzzle. No entanto, apesar desse vazio, permaneço nesta ilha de emoções, lidando com o que me vêm à mente, e existindo, meramente existindo, vivo a vida conforme me apetece e conforme o que me acontece. Não vivo para mim de certeza. Tempo passa, passa tempo!... É só o que peço. Porque pode ser que com a passagem destes minutos, horas, dias, semanas e meses, a estranheza regresse ao sítio de onde proveio e eu consiga, ao menos, viver!

17 de Novembro de 2008
Autoria de: Sara Silva.

Ilhas

Iniciarei uma pequena história dividida em monólogos, cada um com um título, sobre um homem, a sua vida, o que sente e como ultrapassa a sua dor. É uma história fictícia, mas em algumas partes assemelha-se à minha própria vida. Espero que captive o interesse dos que a quererão ler. Deixo já, por cima, o primeiro texto que elaborei há uns meses atrás.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Susan Boyle

Uma voz surpreendente, uma aparência humilde que esconde um talento. Uma senhora cujo nome já é falado pelo mundo e tem razão de ser. Quem desconhecer este facto pode ouvir a sua magnífica voz neste vídeo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Família


Família: afinidade de sangue e/ou de coração entre diversos sujeitos,
onde é partilhado o sentimento de união, amor e respeito.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia das mentiras

As estatísticas afirmam que em média as pessoas mentem 3 vezes por cada 10 minutos. De facto, no nosso dia-a-dia, convivemos com mentiras constantes ao ouvir o noticiário, ao questionar o próximo, ou até ao tentar alcançar a verdade em processos criminais, com ou sem dia das mentiras.
E se um dos objectivos de vida é reconhecer verdades, como por exemplo, quanto ao significado da vida ou o valor do verdadeiro amor, de que forma é que nos guiaremos no meio de tanta distorção, omissão e intrujice?
Lá acabamos por encontrar o nosso caminho, tentando confiar nos demais, criando as nossas próprias verdades e encontrando outras em conjunto com quem as procura também.
E será que as estatísticas reflectem um bom lado da sociedade? a mim parece-me que não.

Será esta uma realidade?

Vitória gritando meu nome

Lá longe vem a Vitória, gritando o meu nome.
Lá longe vem a Vitória anunciando as minhas conquistas.
Vendo-a tão longe assim,
continuo o meu caminho no presente,
indagando se o que ouvira seria a voz de um futuro possível
ou de uma ilusão constante.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Derivação do progresso

A necessidade leva ao progresso.
Joana Cartaxo
Será que o alcançaremos neste tempo de necessidades?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

L'amour

O amor torna possível que sintamos o outro tão perto,
mesmo quando na realidade há uma maior distância
a separar ambas as almas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A bolinha harmoniosa

Se segurássemos uma colher na nossa mão,
transportassemo-la com cuidado,
espalhando a harmonia do cheiro contido na pequena bola que lá vai,
talvez, talvez aí viesse poisar uma bela borboleta,
encantada com o sabor,
sem medo do gesto do ser humano,
convivendo pacificamente no seu meio, com os outros que cohabitam.
Ah!... que paz que prevaleceria!
Que harmonia que essa bolinha traria!...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Desesperante sociedade II

Miúdos a realizarem actos de pura maldade, como um jovemzito roubar um meco de sinalização a um homem que trabalhava para o bem da comunidade, e tê-lo colocado uns metros à frente após ter fugido com os seus brilhantes amigos. Acabou por aborrecer o homem que reparava um poste de eletricidade e fazer com que os outros se sentissem indignados com a situação.
Miúdos a andarem à bulha como meio de diversão, especialmente em corredores como acontece na minha escola. Para além de ocuparem espaço e de se poderem magoar a sério, acabam por ir contra gente que por lá passa ou que por lá está e ainda têm a lata de afirmar como se tivessem razão: " Então, olha aí!".
De jovens com idade para terem uma consciência já quase formada, a reunirem-se, animados e exaltados, em torno de outros que se esmurram, gritando, olhando, rindo, continuando passivos e exaltados.
E como já afirmei no outro texto, os jovens de hoje em dia iniciam a sua vida sexual tão cedo! O caso mais recente é o de um rapaz de 13 anos de Inglaterra, que engravidou uma jovem de 15 e cuja filha nasceu há uns dias. Crianças a educar crianças... acho que não era suposto ser assim. E que é feito do amor? Do fazer amor quando já há maturidade suficiente e ambos estão prontos a dar esse passo como via de, possivelmente, gerar uma vida? Bem diz a minha professora de Filosofia que a magia do acto e da possibilidade de o realizar já se perdeu... Perdeu-se na banalidade, curiosidade e nos prazeres. Nesses míseros prazeres...
E os adultos. Agora o que se tem visto é uma crescente preocupação dos ministros e outros politicos quanto a temas importantes. Há tempos foi o casamento dos homossexuais, agora eutanásia, um novo limite para a escolariedade obrigatória, a violoção doméstica, etc. Tudo isto com as eleições iminentes e logo se vê que algumas destas intervenções são jogos, campanhas discretas para mais tarde, tal e qual como estão a fazer com o nosso primeiro ministro, cujo nome é igual ao de um grande e memorável filósofo, inserindo-o em ilegalidades (quem sabe se serão ou não verdades as possíveis culpas) para que não seja reeleito e os seus provaveis adversários tenham hipóteses de ganhar.
Mundo este...
Mas deixo-me de uma perspectiva negativa e, quando se justificar, contarei um lado mais positivo da sociedade. Assim, sempre se põe de parte as desgraças e valoriza-se o que se deve valorizar, os aspectos bons.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A cruz que carregamos...

Queremos diminuir o nosso sofrimento,
o peso da dor que transportamos às costas,
Mas se isso acontecer, o nosso caminho torna-se fácil de percorrer,
não enfrentamos os desafios,
não nos tornamos mais fortes,
e quando chega a altura de tornar útil essa cruz,
de nada servirá.
Há sempre um motivo, por detrás dos momentos que passamos.
Há sempre um motivo, para a cruz que carregamos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desafio dos 8 sonhos

Desafio dos 8 sonhos

O blog Sonetos ao Luar convidou-me para um desafio que consiste em:
a) Escrever uma lista com 8 coisas que sonho fazer ou com as quais sonhe.
b) Convidar 8 bloguistas (ou outro número desejavel) a responder ao mesmo.
c) Comentar no blog de quem partiu o desafio.
d) Comentar no blog de quem desafiamos.
e) Mencionar as regras.

Quanto aos meus oito sonhos, possiveis ou impossiveis, aqui vai:
- Concluir o secundário e seguir para o ensino superior.
- Fazer um salto de para-quedas.
- Fazer voluntariado.
- Coleccionar todos os livros do Nicholas Sparks (publicados em Portugal).
- Ver neve com mais frequência e consitência.
- Ver mais fenómenos naturais, como os eclipeses e estrelas-cadentes.
- Continuar a escrever num diário por uns bons aninhos.
- "Desenrascar-me" no futuro.

Agora gostaria de partilhar este desafio com:
- (Un)hapiness
- Efeito cacahuète
- Janelas para o meu mundo mais secreto
- Madame Fala
- Lado Be da Gi
- Tretas & Derivados
- Uma janela aberta

Este desafio serve, pelo menos, para estabelecermos alguns objectivos na vida e guiar-mo-nos por um certo caminho de acordo com os mesmos escolhidos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Desesperante sociedade

O que aconteceu aos valores de antigamente? Onde se encontram eles nas atitudes dos demais? E as mentalidades dos jovens, estes que são o futuro das sociedades, porque se distanciam tanto desses valores? Que está a acontecer?
A primeira vez que reflecti sobre a socidade actual já foi há uns anos e nesse momento vi, ou melhor, apercebi-me, o quão desesperante era a sociedade e quanto esta, ou melhor repito eu, as pessoas nela inserida, necessitavam de uma mudança.

- Pessoas pertencentes à chefia de governos que tomam atitudes por vezes infantis. Ora que este faz birra e acusa o outro de roubar o gás natural e por isso quebra o transporte desse recurso para outros países; ora que outro não gostou das palavras que lhe foram dirigidas e por isso decide acabar com as exportações para a Espanha e ora que outros fazem guerrinhas e acordos de cessar-fogo para os quebrarem e matar milhares de inocentes, por motivos não muito viáveis.
- Comunicação social que influencia uma boa parte da população e nem sempre toma posições correctas e nem sempre aborda os temas necessários, dando relevância a certos temas que podem incentivar no sentido negativo, como apelar à violência por excessividade de notícias referentes a esse tema. Começa-se a ver isso como uma coisa comum e por ser tão comum, torna-se menos má de ser praticada. Sem falar já de certos canais televisivos...
- Adultos, os mentores e os que devem dar os exemplos aos jovens, que se esquecem dos valores e tomam atitudes inaceitáveis. Um, para seu bel-prazer minoriza os demais para sustentar o seu ego e faz jogo sujo para chegar ao topo na sua carreira; outro, recusa que a mulher seja considerada como um ser que possui vontades, sonhos e liberdades e prende-a a si, fazendo dela, muitas vezes, o seu saco de boxe onde descarrega as fúrias ou um simples objecto sexual, donde obtém prazer; E ora que um, possuindo uma religião, afirma que o homicídio em massa que executará é em nome de Deus, quando na verdade, a meu ver, um verdadeiro Deus apenas se preocuparia com o bem dos que vivem cá em baixo; Assistimos, todos os dias, a tragédias, algumas delas provocadas por fenómenos naturais, ou relativamente naturais, e outras provocadas por homens cuja consciência se deve encontrar desprovida de valores e coração corrompido. Pessoas que contribuem para uma situação familiar muito desagradável. E alguns, esses alguns que apenas vivem numa ignorância, não se importando com os outros e esquecendo-se que sem esses mesmos são uma parte importante deles mesmos e da vida deles. Mães que abandonam os seus filhos, sem um pingo de arrependimento, mesmo até sabendo que haveriam outras soluções.

Através destes grupos acima mencionados, com alguns comportamentos tomados nesta sociedade de hoje em dia, como seria de esperar que se comportassem os jovens?

- Os jovens agora têm uma mentalidade direccionada somente para o bem deles. Graças a Deus que já conheci muitas e boas pessoas com um sentido de solidariedade enorme, mas na generalidade, os jovens não o possuem. Depois há aqueles que se julgam os maiores e não o são, escondem as suas fraquezas através da violência, quer física, quer mental, quer psicológica, ao agredirem os considerados por eles como inferiores. Outros que só pensam no prazer, no prazer carnal e que iniciam a sua vida sexual muito, mas muito cedo (por volta dos 11-12 anos). Perdem a sua inocência e mesmo apesar de possuirem consciência e valores, continuam a levar uma vida onde esses prazeres são satisfeitos, o que é errado, porque a vida não se deve basear nisso. Uns, que tal como certos adultos, se sentem donos do mundo e se acham melhores que todos os outros demonstrando esse sentimento rebaixando todos e realçando excessivamente as suas qualidades, esquecendo-se que também possuem defeitos. Outros mais que desrespeitam o corpo das raparigas e rapazes, valorizando somente as características físicas. Jovens que se fazem de vítimas constantemente para se sentirem apreciados e revirarem a atenção para eles, não sendo essa obsessão necessária. Por vezes, há uns que simplesmente não são dotados de valores e desrespeitam tudo e todos, e outros que não querem saber do valor que possuem para efectuar uma mudança nas sociedades.

Apenas alguns aspectos que denotei nestes anos. Claro que são aspectos negativos, porque devemos estar alertas para estes, mas também valorizo o que de bom há nas sociedades, mesmo que estejam na penumbra dos outros.
Com uma sociedade assim, não creio que iremos longe. Será que efectuando alguma alteração nos comportamentos de algum dos grupos acima referidos, uma mudança maior e benéfica possa estar iminente? É verdade que se tem efectuado uma mudança nestas décadas, mas há mais coisas más relevantes que as boas.
De facto, hoje demonstro aqui, como já o fiz por vezes, o meu descontentamento e desespero para com a sociedade actual. Enfim, estas são umas míseras palavras de uma jovem que sonha que pode existir um mundo melhor, se todos nós contribuirmos um pouquinho para isso.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tristeza

Cá me esperas.
Vens e conquistas o meu ser nos momentos mais fracos, mas pois, que com a contribuição dos demais e de outras vontades corajosas, o teu lugar é destronado pela alegria, mesmo que esta seja momentânea.
Quando te instalas, convidas o desânimo, o desespero e controlas a minha mente, para que esta se dirija apenas às partes negativas das minhas vivências. Cresces à medida que me rendo e tornas-te quase invencível. Persistes e persistes e não me deixas em paz. Sei que fazes o mesmo com outros e não acho isso, de todo, correcto.
Nos teus momentos de grandeza fazes-me perder o que de bom há à minha volta. Tapas os meus olhos para não ver ou então reduzes a minha visão, para que os pequenos aspectos da vida passem despercebidos e não lhes possa incutir a importância devida.
Comandas-me, vences-me, tornas mais insignificante o meu ser, e ele fica desprovido das suas qualidades e da sua relevância.
Não vives para sempre não. Eu arranjo sempre forma de te eliminar, ou devido às minhas vissitudes e convivências tu acabas por desaparecer.
Minha cara tristeza, hoje não me vences. Hoje já experimentaste o teu poder sobre mim, mas não te deixei subsistir por muito tempo. Talvez venhas amanhã ou depois, como já vieste no passado, mas a alegria vencer-te-á sempre, sempre que esta se fizer sentir tu serás destronada. Pois sabes, tenho verdadeiros anjos na minha vida e contra eles nada podes (tento afastar-te deles o melhor que posso), contra a felicidade que eles me apresentam não há força tua que persista. Hoje não me venceste e no amanhã, desde que hajam condições para tal, uma vez que tu és necessária por vezes, mas somente, por poucas e minimas vezes, também não me vencerás.

Frases...

- “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.” Carlos Drummond de Andrade

- “Por mais longa que seja a noite, o sol volta sempre a brilhar.” Autor Desconhecido

- “A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.” Coelho Neto

- “Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se, os amadores construíram a arca. Profissionais construíram o Titanic.” Autor Desconhecido

“A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.”Platão

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um ano novo: 2009

Cá está. Veio um novo ano.
É altura de um novo começar, de um novo lutar.
Este ano propomo-nos a agarrar os desejos e sonhos e de os tornar realidade.
Acabar com as infelicidades e querer ser feliz.
Manter a saúde ou vencer a doença.
Sair bem sucedido no trabalho.
Ter a oportunidade de encontrar o amor.
Propomo-nos a construir um melhor eu e uma melhor vida.
Um ano cheio de vontades.
Que o tal novo começar traga tantos aspectos positivos quanto possível.
Porque com um pouco de esforço, conseguimos alcançar os objectivos.